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Voltar para o início Desde 21 de abril de 1952

Uma história tecida por criadores de ovinos.

Da fundação em Jaguarão até os dias de hoje: a trajetória da Cooperativa de Lãs Mauá através de seus doze presidentes e das transformações do mercado de lã no Rio Grande do Sul.

A Cooperativa de Lãs Mauá Ltda. foi fundada em 21 de abril de 1952 por um grupo de criadores de ovinos interessados em unir forças para fortalecer a atividade. Desde o início, o objetivo foi melhorar a qualidade e a quantidade do rebanho ovino, promover o aproveitamento comercial da lã e orientar os associados quanto às melhores práticas de criação — especialmente em relação à alimentação e defesa sanitária.

Atualmente, a cooperativa reúne 285 associados e administra uma população aproximada de 22.000 cabeças de ovinos. Além disso, mantém um serviço de assistência técnica e fornecimento de materiais e gêneros. Também presta apoio direto aos sócios, em parceria com a Secretaria da Agricultura, por meio do serviço de ovinotecnia, voltado à seleção e ao melhoramento da produção de lãs.

Com foco na expansão patrimonial, a cooperativa realizou importantes obras: construções de depósitos, reformas em prédios e melhorias nas condições de armazenamento da produção. Tudo isso sem recorrer a financiamentos externos, aproveitando apenas seus próprios recursos.

Ao longo de sua trajetória, a Cooperativa de Lãs Mauá tem se consolidado como uma entidade de classe dedicada ao bem-estar dos associados, à qualidade da produção e ao desenvolvimento sustentável da ovinocultura regional.

A lã

Antes a produção anual gaúcha era de 10 mil toneladas e hoje caiu para 4 mil toneladas. A ovinocultura no Estado foi sempre uma atividade fundamental para grande parte das propriedades do Rio Grande do Sul, auxiliando na geração de empregos, na produção de carne, lã e peles, tanto para a subsistência como para a comercialização.

Com a retração do consumo mundial de lãs, especialmente após o período pandêmico, além da grande expansão das fibras sintéticas, houve queda expressiva dos preços, causando redução do efetivo ovino dos principais países produtores de lã.

O mercado têxtil em geral permanece difícil, porém algumas tendências positivas estão trabalhando a favor da lã, como o preço competitivo, qualidade e natureza — destacando que o caminho da lã é competir pela parcela de mercado. Por ser uma fibra nobre, a lã deve tornar-se mais competitiva no preço em relação a outras fibras.

Cooperativas de lãs

Doze presidentes, mais de setenta anos de trajetória.

1952

Tomaz Aquino de Matos

Tomaz Aquino de Matos, que liderou mobilização dos produtores, tinha propriedade no 1º. Subdistrito barra do Juncal, junto com seu irmão Conceição Matos, Estancia São João, um dos FORTINS HISTÓRICOS de Jaguarão.

1953 – 1964

Luiz Knorr

Luiz Knorr- assume em abril de 1953 e permanece até 1964. Compra sede na Avenida 20 de setembro esquina Marechal Deodoro, faz sua primeira comercialização em 1953 de 500 Toneladas. Cria em 1955, Funde de Desenvolvimento, com a retenção da Lã de garreio, a ser restituída no prazo de 5 anos. Em 1956, realiza 1ª. Exportação via porto, para Japão, Alemanha, Itália e Espanha. Em 1956, Jaime Cassal, até então contador da Cooperativa, é contratado como Diretor Comercial, em substituição ao Sr. Graciliano Ramos de Souza. Nessa safra comercializam 756 Toneladas. Alugam barraca na avenida Júlio de Castilhos, com 2 pavilhões. Em 1958, realizam a compra desses galpões, e comercializam 879 Toneladas. Em 1962, em assembleia geral extraordinária, é aprovado a constituição de um Fundo de Obras, baseado na retenção de 2% da comercialização anual. Em 1963, enfrenta sua 1ª. Crise, fruto de uma grande instabilidade econômica e do fechamento das exportações. Sem condições de exportação, grande parte da safra de 1963 não foi comercializada. Encerra suas atividades deixando 704 sócios na cooperativa. Fica nesse ano pronto o 2º depósito novo com 800 m2 ao custo de Cr$ 6.818.000,00

1964 – 1966

Carlos Alberto Ribas

Eleito em 1964, Carlos Alberto Ribas, diretor comercial Antonio Querino Pereira, secretário Gal. Walter Dutra. Em ato administrativo, cri a CACO- comissão de apoio a criação de ovinos e abra laboratório de análise de fezes, com o objetivo de melhorias zootécnicas, manejo e sanidade. É autorizada a venda da sede antiga, sita na rua 20 de setembro, alterado o plano de devolução das retenções, para 10% ao ano do capital acumulado. Inicia as obras da sede administrativa na Júlio de Castilhos, obra concluída em 14 de outubro de 1965. Ribas falece de ataque cardíaco no ato de inauguração da exposição de Herval, ocasião em que era homenageado pelo trabalho de Fundação do Hospital da cidade, no dia 22 de outubro, 8 dias após inaugurar a sede administrativa da Cooperativa. Nesta safra a cooperativa comercializa 1.000 toneladas. Assume interinamente o Gal. Walter Dutra.

1966 – 1978

Antônio Querino Pereira

Assume em 26.11.1966 Antônio Querino Pereira, diretor comercial Jaime Guaraci Cassal e Diretor secretário José Jacintho Ferreira. Em 1967, troca moeda para Novos Cruzeiros e comercialização atinge 966 toneladas. Em assembleia é aprovado a expansão da Cooperativa para Herval e Arroio Grande, determinando providenciar depósitos nessas cidades. Em 1971, os valores em dólares, por 1ª. Vez sofrem redução. Nessa safra ocorreu significativa queda de volume. Em 1976, recupera seu preço em dólar e em moeda nacional teve suba de 50%. Conclui a construção do pavilhão da avenida Venâncio Aires.

1978 – 1980

Jaime Guaraci Cassal

Assume em 24.11.1978 Jaime Guaraci Cassal, que enfrente essa desvalorização de mercado e retração das exportações. Queda em dólares de 20%. Associados nessa época 1.284.

1980 – 1981

Flávio Pacheco

Flavio Pacheco assume em 1980, em 1981, o lanifício Albornoz, maior comprador do mercado interno apresenta dificuldades financeiras e atrasa pagamento das compras. Em 1981, as cooperativas se associam e cria em Uruguaiana uma unidade industrial VALE URUGUAI.

1981 – 1994

Darnô Fonseca

Darnô Fonseca, que inicia diversas tratativas para receber passivo junto ao Lanifício Albornoz, sendo criado entre os credores uma S.A. para dar continuidade aos trabalhos dessa indústria. Em 1988, pais entra numa espiral inflacionária com constantes alterações econômicas, que acabaram com os financiamentos a comercialização de Lãs. Como consequências dessa desorganização financeira, volta a concorrência do mercado informal, e a comercialização passa a ser por raça ovina, desmerecendo a CLASSIFICAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO por finuras definidas velo a velo.

1994 – 2001

Vinícius Silveira

Vinicius Silveira (Arroio Grande) - Assume em 1994, enfrenta o início de queda significativa o valor das lãs, fecha as exportações para China, inicia uma diminuição significativa da entrega de lãs, o que obriga no ano de 2000, o início da desmobilização de capital para custear a COOPERATIVA. E para dar contrapartida as quedas de produção, é aprovada a criação de secções de consumo, abrindo Supermercado em Jaguarão, Arroio Grande e Herval. E o arrendamento do pavilhão da rua Venâncio Aires.

2001 – 2003

Omar Farias

Omar Farias – assume em 2001, ocasião em que teve uma recuperação momentânea de preços em dólares, que não resultou em aumento da safra inicia uma espiral de inadimplência na sessão de consumo, acendendo um alerta a administração. São contratados auditores para análise e propostas alterações, as quais não tiveram sucesso. Aprovada a venda da esquina da rua Uruguai com Venâncio Aires

10º
2003 – 2006

Fernando Rodrigues Affonso

Fernando Rodrigues Affonso, assume em 2003. Nessa oportunidade tinha 505 sócios, e é aprovado em assembleia geral extraordinária uma ação radial de enxugamento, e de busca de lãs na região. De imediato são fechadas as unidades de Arroio Grande e Herval, contratada cobrança judicial do passivo, determinada venda dos imóveis dessas cidades; assim como do terreno da Júlio de Castilhos esquina Venâncio Aires.

11º
2006 – 2017

Leocádio Ledesma

Leocadio Ledesma, assume em 2006, marca seus primeiros anos, pela busca de recursos junto aos Bancos de Fomento, conseguindo depois de 3 anos de intenso trabalho, apoio a fundo perdido do BNDES para investimento em maquinas e equipamentos. Entretanto a queda de preços da lã se mantém, dificultando o custeio operacional.

12º
desde 2017

Edison Ferreira

Edison Ferreira, Assume em 2017, dando continuidade ao enxugamento dos custos e necessária descapitalização para dar continuidade a Cooperativa.

Cooperativas de lãs no Rio Grande do Sul

Cooperativa de Lãs Mauá, de Jaguarão.

Cooperativa de Lãs de Quaraí (Quaraí).

Cooperativa de Lãs Tejupá, de São Gabriel.

Ovelhinha
Ovelhinha
Assistente da cooperativa